23 de setembro de 2009

A lição do fogo

Cheguei mais cedo, como sempre, à sede do GDC.M, para a última reunião preparatória das comemorações do 25º aniversário e da festa da trigeminação cultural de Mozelos. Desci ao salão para preparar a reunião e encontrei um grande cartaz em cima da mesa com um texto impresso cujo título me saltou à vista: "A Lição do Fogo".

A minha primeira impressão foi de que se tratava de material de trabalho de algum dos diversos grupos que têm actividade regular no GDC.M. Como não pude deixar de ler o texto dada a dimensão das palavras conclui que se tratava de uma mensagem para ser lida por todos:

"Um membro de um determinado grupo, com o qual colaborava regularmente, sem nenhum aviso, deixou de participar nas suas actividades.

Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo.

Era uma noite muito fria; o líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.

Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas vindas ao líder, conduziu-o a uma cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.

O líder acomodou-se confortavelmente no lugar indicado, mas não disse nada. No silêncio que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha que ardiam.

Ao cabo de alguns minutos, examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente seleccionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado. Voltou então a sentar-se, silencioso e imóvel.
O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.

Aos poucos a chamada da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e o seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo, o que era antes uma explosão de luz e calor, passaram a ser um negro, frio e morto pedaço de carvão, recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.

Nenhuma palavra fora dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.

O líder, antes de se preparar para sair, pegou de novo no carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio da fogueira. Quase que de imediato ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.

Quando o líder alcançou a porta para partir, o seu anfitrião disse:

- Obrigado pela visita e pelo belíssimo sermão. Vou voltar de novo ao convívio do Grupo. Deus o abençoe!

..."AOS MEMBROS DE UM GRUPO VALE A PENA LEMBRAR QUE FAZEM PARTE DA CHAMA, E QUE LONGE DO GRUPO PERDEM TODO O BRILHO.
AOS LÍDERES VALE A PENA LEMBRAR QUE ELES SÃO RESPONSÁVEIS POR MANTER ACESA A CHAMA DE CADA UM, E POR PROMOVER A UNIÃO ENTRE TODOS OS MEMBROS, PARA QUE O FOGO SEJA REALMENTE FORTE E DURADOURO"..."

Fiquei emocionado com esta forte mensagem que apareceu discreta e misteriosamente na sede do GDC em formato de um grande cartaz. Bem-haja quem teve esta ideia!

Alguns dias depois, no salão da Tuna Musical Mozelense, nas comemorações do 25º Aniversário do GDC.M, ao ver a casa cheia com quase todos os fundadores directores e amigos que contribuíram por manter acesa a chama do Grupo, não pude deixar de pensar nos que ficaram pelo caminho... nos que por comodismo, por egoísmo, por discordâncias fúteis ou simplesmente por orgulho foram abandonando o convívio do grupo... naqueles que nós fomos consentindo que se afastassem, que podem ter perdido a oportunidade de brilhar, mas que fizeram, fazem e farão falta para alimentar a chama do grupo, para que a sua existência seja realmente forte e duradoura.

Sou, atentamente, um director "feliz com lágrimas".

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